domingo, 25 de setembro de 2016

Taxa de desemprego em Portugal





Num universo em que familiares, vizinhos, amigos e conhecidos continuam a engrossar filas à porta dos Centros de Emprego. A calcorrear ruas ou a passar horas infindáveis em frente a um computador ou numa qualquer empresa de trabalho temporário.

Num universo em que as possibilidades de emprego parecem resumir-se a Call-Center, Helpdesk ou Telemarketing, surgiu há dias a notícia de que, em Portugal, o desemprego diminuiu. 

Os números são oficiais e transmitidos pela comunicação social que assim nos mostra o que de outro modo dificilmente veríamos. 

E não veríamos porque não conseguimos ver os números de desemprego a baixar quando procuramos um trabalho que não surge ou quando somos preteridos por quem se sujeite a contratos de meses, dias, por vezes horas. 

Quando a experiência que detemos é incompatível com a oferta. Quando é insuficiente ou quando ultrapassa os requisitos necessários.

Quando o subsídio de desemprego (nos casos em que ainda existe) mal chega para a renda da casa mas não somos elegíveis para qualquer espécie de apoio de cariz social.

Quando ao fim de meses de desespero e de “controlos quinzenais” constatamos que nem uma vez fomos contactados pelo Centro de Emprego com qualquer proposta ou quando somos “dispensados” de um trabalho em que estávamos integrados, apenas porque um colega é familiar do patrão.

Mas mesmo vendo-os, e por muito oficiais que sejam, é difícil aceitar números que contradigam a realidade que nos rodeia. 

Sabemos que os números reflectem um panorama geral e que as taxas de desemprego variam conforme a zona, a estação do ano ou o escalão etário mas também sabemos que aqui, onde estamos e rodeados por tantos casos de desemprego, a realidade continua a ser dura de enfrentar. A procura de trabalho continua a ser~, quase, uma “missão impossível”.

Também sabemos que a falta de um ordenado leva a que pagar renda de casa, água e luz, tenham que ser ponderados ou mesmo deixados para segundo plano sob risco que não conseguir comprar algo para comer.

No entanto os números estão a baixar o que pode significar uma luz ao fundo de um túnel demasiado profundo. Demasiado difícil de calcorrear. 

A esperança é a última a morrer e esperamos deixar de fazer parte dessa percentagem que apesar de ser cada vez mais baixa, continua ainda demasiado alta.



Adelina Antunes