domingo, 12 de outubro de 2014

Deficiencia nem sempre é sinónimo de incapacidade





As dificuldades com que nos deparamos no dia-a-dia ultrapassam, muitas vezes, o que seria desejável. Espectável. É difícil conseguir um emprego. Um trabalho em que nos sintamos realizados com o que fazemos e que reja remunerado da maneira que achamos que merecemos. É difícil mas possível. Nem todos o conseguimos, é um facto. Mas sabemos que podemos lutar pelo que queremos e que a possibilidade de o conseguir, é real.

Mesmo assim queixamo-nos quando em vez do emprego de sonho conseguimos apenas um trabalho que nos permita a subsistência. Queixas que, supomos, são normais. Naturais ou até mesmo obrigatárias.
E são! São porque todos temos o direito a querer o melhor que possamos conseguir. São porque a insatisfação é a maior caraterística da raça humana e a que mais nos lança para o progresso. São porque, se não fosse esta insatisfação com o que temos ainda viveríamos em cavernas. A insatisfação. A vontade de conseguir mais e a força de lutar para o conseguir são, sem sombra para dúvida, o motor do progresso.

No entanto há alguns de nós que, por muita força interior que tenham. Por muita vontade de vencer que transportem dentro de si. Por muito que procurem. Veem-se impedidos de conseguir. Não só o emprego de sonho como nem sequer uma simples ocupação. Porque precisam que alguém se ocupe deles. Porque as dificuldades com que se veem confrontados ultrapassam de longe as que a maioria tem de enfrentar. 

Crescem as associações de deficientes. Agrupam-se por “categorias”. Handicaps. Se são deficientes motores, visuais, auditivos… Se a deficiência é física ou mental. Agrupam-se. Catalogam-se. O governo oferece, miseramente, alguns apoios e espera que estes se deem por satisfeitos. Se considerem felizes e realizados. As suas capacidades ou são ignoradas ou, dependendo da associação em que estão integrados, direcionadas para o desporto. 

Nem todos podem ou querem ser desportistas. Muitos gostariam de ser artistas. Advogados. Arquitetos ou simples empregados de uma qualquer empresa. Muitos desejariam ter a sua independência e levar uma vida em tudo o mais normal possível.

Quem conhece minimamente as leis sabe que o governo impôs quotas para a admissão de trabalhadores com deficiências nos quadros do Estado. Uma excelente medida que no entanto não tem valor nenhum pois os concursos de admissão estão proibidos há vários anos.

Também a nível das empresas existem incentivos. No entanto estes revelam-se insuficientes para que um qualquer empresário decida admitir este género de trabalhadores. 

Todos compreendemos que não é fácil criar mecanismos que permitam integrar todas as pessoas com deficiência no mercado de trabalho. Não é fácil sequer integrar quem quer que seja no mercado de trabalho a prova é o número de desempregados que não cessa de aumentar. 

Muita coisa terá que ser mudada, desde a capacidade de resposta do Estado à das empresas. O mercado de trabalho terá que sofrer uma enorme evolução. As mentalidades terão que progredir ao ponto de olharmos para um invisual, um deficiente auditivo ou mesmo alguém com capacidade intelectual diferente da nossa, não como um incapaz mas como alguém que, apesar das dificuldades acrescidas, é um ser humano pleno de capacidades e… igual ao comum de nós.

Adelina Antunes

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